O preço do milho registra queda no mercado brasileiro em abril, pressionado pelo aumento da oferta e pela postura mais cautelosa dos compradores. Dados do Cepea mostram que o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, referência em Campinas (SP), recuou 4,8% até quinta-feira (16), devolvendo os valores aos patamares observados no início de 2026.
O movimento reflete mudanças no cenário interno e externo, com impacto direto na dinâmica de comercialização do cereal. A desvalorização do dólar frente ao real tem papel relevante na queda dos preços. Com a moeda americana mais baixa, a paridade de exportação perde força, reduzindo a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.
Como consequência, maior volume de milho permanece no mercado interno, ampliando a oferta disponível e pressionando as cotações. Do lado da demanda, consumidores mantêm uma postura mais seletiva e realizam compras apenas quando necessário. A indústria acompanha o avanço da colheita da safra de verão e observa o desenvolvimento da segunda safra.
As negociações ocorrem de forma pontual, geralmente em situações de recomposição de estoques ou quando há aceitação de preços menores por parte dos vendedores. O mercado vive um momento de transição entre a safra de verão e a safrinha, que já representa a maior parte da produção nacional. A evolução das lavouras da segunda safra será determinante para o comportamento dos preços nas próximas semanas.
Condições climáticas favoráveis tendem a ampliar ainda mais a oferta e manter o cenário de pressão sobre as cotações. Para os produtores, o contexto exige maior atenção à gestão de custos e à estratégia de comercialização. A expectativa de entrada de novos volumes no mercado tem levado parte dos agentes a priorizar liquidez. A tendência indica manutenção de um ambiente desafiador no curto prazo, com impacto direto em toda a cadeia do agronegócio.


