A Organização Meteorológica Mundial, a OMM, informou que existe mais de 90% de probabilidade de o El Niño se consolidar até novembro. As projeções indicam que o fenômeno climático poderá alcançar intensidade moderada ou forte nos próximos meses. Diante do cenário, a entidade alertou governos e setores econômicos para a necessidade de preparação antecipada contra eventos extremos, como secas severas, tempestades e ondas de calor em diferentes regiões do planeta.
Segundo a diretora-geral da OMM, Celeste Saulo, a mobilização internacional será fundamental para reduzir os impactos associados ao fenômeno. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, condição que altera padrões de vento, pressão atmosférica e distribuição das chuvas em diversas partes do mundo. O evento costuma ocorrer em ciclos alternados com a La Niña e períodos de neutralidade climática.
El Niño pode ampliar efeitos das mudanças climáticas
Nos últimos anos, o fenômeno teve papel importante na elevação das temperaturas globais. Dados citados pela OMM apontam que 2023 foi o segundo ano mais quente já registrado, enquanto 2024 estabeleceu um novo recorde histórico, com temperatura média aproximadamente 1,55°C acima dos níveis observados antes da Revolução Industrial.
Os sistemas de monitoramento já identificam sinais consistentes da transição climática. Entre abril e maio, as temperaturas subsuperficiais do Oceano Pacífico chegaram a ficar até 6°C acima da média histórica. Além disso, meteorologistas registraram alterações relevantes nos padrões de pressão atmosférica, indicadores frequentemente associados ao desenvolvimento do El Niño em escala global.
A OMM destaca que o aquecimento global não aumenta necessariamente a frequência ou a intensidade do fenômeno. No entanto, as mudanças climáticas ampliam seus efeitos porque oceanos e atmosfera mais quentes favorecem eventos meteorológicos mais severos. Esse cenário aumenta o potencial de impactos sobre populações, sistemas produtivos e infraestrutura em diferentes continentes.
ONU pede ampliação de sistemas de alerta
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, reforçou a necessidade de acelerar a transição energética e ampliar sistemas de prevenção. Segundo ele, reduzir a dependência de combustíveis fósseis e expandir o uso de fontes renováveis são medidas importantes para enfrentar os desafios climáticos. Atualmente, os sistemas globais de alerta antecipado cobrem 128 países, com meta de universalização até 2027.
Embora o pico do El Niño esteja previsto para ocorrer entre novembro e fevereiro, a OMM já projeta temperaturas acima da média em grande parte do planeta entre junho e agosto. Entre os impactos regionais previstos estão secas severas na América Central, no norte do Chifre da África e redução das monções no sul da Ásia. O fenômeno também tende a favorecer a formação de furacões no Pacífico e reduzir a atividade ciclônica no Oceano Atlântico.


