DISPUTA

China renova licença de frigoríficos dos EUA, mas setor brasileiro minimiza impacto

Pequim reativou autorizações de 402 plantas americanas, porém setor avalia que escassez de carne limita avanço dos embarques

Donald Trump e Xi Jinping apertam as mãos durante encontro entre Estados Unidos e China
China renovou licenças de 402 frigoríficos americanos (foto: Reprodução/Internet)

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A China renovou nesta sexta-feira (15) as licenças de exportação de carne bovina de 402 frigoríficos dos Estados Unidos e habilitou outras 77 plantas americanas para operar no mercado chinês. As autorizações estavam vencidas desde fevereiro e março do ano passado. Com a atualização, os EUA passam a contar com 730 unidades habilitadas para exportar carne bovina à China, embora 38 delas permaneçam com embarques suspensos.

A decisão de Pequim foi interpretada pelo setor exportador brasileiro como um gesto político durante a visita do presidente Donald Trump ao país asiático. Apesar disso, representantes do agronegócio avaliam que a medida terá efeito reduzido no mercado internacional no curto prazo. O principal motivo apontado é a limitação da oferta de carne bovina nos Estados Unidos, que atravessam período de redução do rebanho e menor capacidade de exportação.

China mantém cenário favorável ao Brasil

Os Estados Unidos possuem cota de 164 mil toneladas para exportações de carne bovina à China em 2026. Entretanto, até fevereiro deste ano, os americanos haviam vendido menos de mil toneladas ao mercado chinês. O governo de Pequim deverá divulgar na próxima semana novos dados sobre o preenchimento das cotas e o volume atualizado das importações realizadas pelo país asiático ao longo do primeiro semestre.

Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, afirmou que o impacto prático da medida tende a ser pequeno. “O efeito prático deverá ser bastante reduzido, uma vez que há disponibilidade reduzida de carne neste momento nos EUA”, declarou. Exportadores brasileiros e fontes ligadas ao mercado chinês também afirmam que os americanos não concorrem diretamente com o perfil de carne vendido atualmente pelo Brasil à China.

Um representante do setor exportador brasileiro afirmou que o retorno dos Estados Unidos ao comércio com a China amplia a concorrência internacional, mas não altera os negócios em andamento. Segundo essa avaliação, o cenário pode mudar apenas no segundo semestre, caso a cota chinesa para importações brasileiras seja totalmente preenchida, reduzindo a margem para novos embarques sem sobretaxas.

Mercado americano segue no radar dos frigoríficos

Ao mesmo tempo, ainda existe incerteza sobre as exportações brasileiras de carne bovina aos Estados Unidos. Durante a semana, Donald Trump sinalizou a retirada da tarifa de 26,4% aplicada sobre as importações do produto brasileiro. A medida, no entanto, ainda depende de assinatura oficial por meio de ordem executiva e continua sem definição por parte da Casa Branca.

Os Estados Unidos ocupam atualmente a segunda posição entre os maiores compradores da carne bovina brasileira, atrás apenas da China. Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 149,8 mil toneladas aos americanos, negócios que renderam US$ 962,5 milhões ao setor. No mesmo período, a China importou quase 475 mil toneladas de carne bovina brasileira, mantendo a liderança entre os principais destinos do produto nacional.

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