O Ministério do Comércio da China informou no domingo (10) que a carne bovina brasileira já atingiu 50% da cota anual de importação prevista para 2026. O volume contabilizado até sábado (9) confirma o avanço acelerado das vendas do produto brasileiro ao mercado chinês nos primeiros meses do ano. O cenário aumentou a preocupação entre exportadores e produtores rurais, que acompanham os impactos sobre o restante do calendário comercial.
Segundo comunicado do Departamento de Remédios Comerciais da China, o montante registrado corresponde ao limite estabelecido em anúncio ministerial divulgado ainda em 2025. O governo chinês alertou que, após o preenchimento integral da cota, será aplicada imediatamente uma sobretaxa de 55% sobre a tarifa de importação vigente. A punição começará a valer no terceiro dia após o esgotamento do teto anual definido por Pequim.
Atualmente, a carne bovina brasileira já enfrenta cobrança de 12% de imposto de importação e 9% de IVA, tributo interno aplicado pela China. Com a sobretaxa adicional de 55%, exportadores avaliam que os custos podem inviabilizar parte dos embarques ao principal parceiro comercial do setor. O impacto direto sobre os preços reduziria a competitividade do produto brasileiro diante de fornecedores de outros países no mercado asiático.
A cota chinesa para 2026 foi fixada em 1,106 milhão de toneladas. O volume representa redução aproximada de 35% em comparação às 1,7 milhão de toneladas exportadas pelo Brasil para a China em 2025. O anúncio do governo chinês também confirmou que o consumo do limite ocorre em velocidade superior à observada em períodos anteriores, o que elevou o nível de atenção dentro da cadeia produtiva brasileira.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, a Abiec, Roberto Perosa, afirmou que o setor já operava em estado de alerta diante do avanço das vendas. Entidades do segmento projetam que, mantido o ritmo atual de embarques, o teto de importação sem sobretaxa poderá ser atingido ainda no primeiro semestre de 2026. A avaliação do mercado considera riscos de represamento de estoque e prejuízos financeiros para a segunda metade do ano.


