O mercado de arroz no Rio Grande do Sul encerrou abril com recuperação nos preços do arroz em casca. Dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea, mostram que a média mensal atingiu R$ 62,66 por saca de 50 quilos, maior valor registrado desde setembro de 2025. Apesar da alta, produtores e indústrias mantiveram cautela diante da baixa liquidez e das dificuldades para fechar novos contratos no estado.
Além disso, a expectativa pelos leilões de apoio à comercialização influenciou o comportamento dos agentes do setor no fim do mês. Segundo os pesquisadores do Cepea, a procura pontual por grãos de melhor qualidade técnica não teve força suficiente para ampliar o volume de negócios no curto prazo. As diferenças regionais nos preços também impediram uma reação mais homogênea entre as principais áreas produtoras do Rio Grande do Sul.
Mercado de arroz no Rio Grande do Sul enfrenta entraves
Atualmente, o arroz no Rio Grande do Sul atravessa um estágio considerado intermediário pelos analistas do Cepea. Os fundamentos do mercado apontam espaço para recuperação nos preços agregados, impulsionados pela relação entre oferta e demanda. Ainda assim, o avanço encontra obstáculos importantes, principalmente por causa das margens reduzidas das indústrias e da lentidão observada no fluxo de vendas ao longo das últimas semanas.
Outro fator que limita o avanço mais consistente dos preços é a assimetria regional registrada dentro do próprio estado. Em algumas regiões produtoras, os valores seguem acima da média estadual, enquanto outras áreas operam com preços inferiores. Esse cenário faz compradores e vendedores adotarem postura de observação antes de assumir compromissos de maior volume, o que reduz a velocidade das negociações no mercado gaúcho.
Os pesquisadores afirmam que uma tendência de alta mais firme dependerá de avanços no escoamento da produção em toda a cadeia logística. Também será necessário maior alinhamento entre as expectativas de produtores e indústrias para estimular novos acordos comerciais. O desempenho dos próximos leilões e a capacidade de distribuição do Rio Grande do Sul serão determinantes para definir o comportamento dos preços do arroz no próximo trimestre.


