A produção de leite foi impactada pelo calor extremo registrado em fevereiro no Rio Grande do Sul. Dados da Secretaria de Agricultura indicam que os rebanhos permaneceram sob estresse térmico em até 57% do tempo, o que resultou em queda significativa na produtividade.
O efeito das altas temperaturas é direto no organismo dos animais. Com o calor, as vacas reduzem o consumo de alimento e aumentam o gasto energético para resfriar o corpo, o que compromete a produção. Estimativas apontam que a queda pode chegar a 34%.
Diante desse cenário, técnicos recomendam medidas imediatas para reduzir os impactos. O manejo adequado inclui acesso à sombra, oferta de água fresca em abundância e uso de ventilação, especialmente em sistemas de confinamento e salas de ordenha. A adoção dessas práticas contribui para o bem-estar animal e pode minimizar prejuízos financeiros em períodos de temperaturas elevadas.
Produção de leite exige adaptação e inovação
Enquanto o setor enfrenta desafios climáticos, a ciência agrícola brasileira registra avanços. A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026 pela revista Time. Seu trabalho com o uso de microrganismos na cultura da soja substitui fertilizantes sintéticos e já é aplicado em 85% da produção nacional. A tecnologia gera economia estimada em cerca de 25 bilhões de dólares por ano.
Soluções também avançam em outras áreas do agro. Estudo da Universidade Federal de São Carlos aponta que a planta Artemisia annua pode reduzir o estresse e melhorar o desempenho de tilápias em tanques-rede. O cenário mostra que, diante das mudanças climáticas, a combinação entre manejo eficiente e inovação científica ganha espaço como estratégia para manter a produtividade no campo.


