CRISE NO CAMPO

Milho perde área na Europa com alta de custos e pressão climática

Alta de fertilizantes e energia reduz plantio e leva agricultores a optar por culturas mais rentáveis no continente

Colheitadeira colhe milho seco em lavoura com plantas secas e poeira durante a safra agrícola
Custos de insumos pressionam produtores europeus (foto: Reprodução/Internet)

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O milho na Europa deve perder área em 2026 diante da alta dos custos de produção e dos riscos climáticos. Analistas projetam que o cultivo ficará abaixo de 8 milhões de hectares na União Europeia, menor nível do século. O cenário é influenciado pelo aumento nos preços de fertilizantes e energia, impulsionado pela guerra no Oriente Médio.

Esses fatores elevam o custo de produção e reduzem a atratividade da cultura frente a alternativas mais rentáveis. Segundo especialistas, o milho exige grande volume de insumos e ainda demanda secagem após a colheita, o que amplia o consumo energético. “Há muitos riscos acumulados para o milho, entre fertilizantes, seca e custos de secagem”, disse Maxence Devillers, da Argus.

Na França, a área destinada ao milho em grão pode cair entre 10% e 15%, o equivalente a cerca de 200 mil hectares. O movimento reflete a migração de produtores para culturas como o girassol, que apresentam melhores margens. Apesar da redução projetada, o plantio avançou no país devido ao clima seco, com 56% da área já semeada, acima da média dos últimos cinco anos. A expectativa agora depende do retorno das chuvas no início de maio para garantir o desenvolvimento inicial das lavouras.

Milho na Europa enfrenta cenário desigual

Em outros países, o comportamento da safra varia. Na Polônia, a área de milho deve recuar levemente, passando de cerca de 1,3 milhão para 1,25 milhão de hectares, com impacto moderado dos custos. Já na Alemanha, o cenário é diferente. A área plantada pode crescer 3,5%, alcançando 507 mil hectares, impulsionada pela compra antecipada de fertilizantes antes da escalada dos preços.

A tendência geral indica que o milho enfrenta perda de espaço no continente, pressionado por custos elevados e condições climáticas adversas. O cenário reforça a mudança no perfil produtivo europeu diante de um ambiente mais desafiador para o cultivo de grãos.

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