EXPANSÃO

Brasil terá 53 milhões de suínos e setor já vê impacto ambiental

Projeção da FGV indica crescimento puxado pela renda, com avanço regional e pressão por soluções sustentáveis

Porcos em granja confinados lado a lado com identificação na orelha em ambiente de criação intensiva
Rebanho de suínos deve crescer 10% até 2030 (foto: Reprodução/Internet)

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O número de suínos no Brasil deve alcançar 53 milhões de cabeças até 2030, segundo projeção da Fundação Getulio Vargas. O avanço representa crescimento de 10% em relação ao volume atual e acompanha a expectativa de aumento da renda e do consumo de proteínas no país.

A estimativa faz parte do estudo Futuro da pecuária de pequenos animais até 2030, que também prevê expansão de 11,2% do Produto Interno Bruto e queda de 1,21% na inflação no período, fatores que influenciam diretamente o consumo interno. De acordo com o pesquisador Cícero Zanetti, o aumento da renda tende a elevar a demanda por proteínas mais acessíveis. “Com o acréscimo de renda, você começa a trocar ou consumir mais proteína, principalmente para suínos e aves, e aí isso acaba demandando mais a produção”, afirmou.

A maior concentração do rebanho seguirá na Região Sul, que deve reunir cerca de 28,1 milhões de cabeças nos próximos anos. Ainda assim, o estudo aponta avanço em áreas fora do eixo tradicional de produção. Estados como Roraima e Pernambuco aparecem entre os destaques. O primeiro pode atingir 247 mil animais, com crescimento de 222% em relação a 2019. Já Pernambuco deve dobrar o número de suínos, chegando a 1,7 milhão de cabeças.

Suínos no Brasil ampliam pressão ambiental

O crescimento da atividade também traz desafios ambientais. Apesar de menos poluente que a bovinocultura, a suinocultura responde por emissões relevantes de metano e outros gases, que tendem a aumentar com a expansão do rebanho. Segundo o estudo, há espaço para transformar esse cenário em oportunidade. O reaproveitamento do metano para produção de biogás surge como alternativa para reduzir impactos e gerar nova fonte de renda no campo.

Esse modelo já é adotado por produtores como Alexandre Cerci, no Distrito Federal, que reaproveita resíduos da produção para gerar biofertilizantes e energia. A prática contribui para a autossuficiência e reduz custos operacionais. Além disso, a tendência aponta para maior uso de bioinsumos, que melhoram a digestão dos animais e ajudam a reduzir a emissão de gases. O avanço da atividade, segundo a FGV, exige adaptação para equilibrar crescimento produtivo e sustentabilidade.

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