PREOCUPAÇÃO

El Niño volta ao radar e reacende temor de tragédias no Rio Grande do Sul

Especialistas alertam para baixa capacidade de adaptação de municípios diante de eventos extremos provocados pelo excesso de chuva

Vista aérea de bairro alagado com ruas e casas inundadas após fortes chuvas e enchente urbana
El Niño volta a preocupar autoridades e especialistas (foto: Reprodução/Internet)

Compartilhe:

A confirmação da chegada de um novo El Niño voltou a acender o alerta para possíveis desastres naturais em diversas regiões do Brasil. O fenômeno climático é acompanhado com atenção especial no Rio Grande do Sul, estado que enfrentou graves impactos durante o último episódio registrado em 2024. Especialistas apontam que os próximos meses podem ser marcados por chuvas acima da média e aumento do risco de enchentes.

Caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño provoca alterações nos padrões climáticos em diferentes partes do mundo. No Brasil, os efeitos costumam ser sentidos principalmente na Região Sul, onde há tendência de aumento das precipitações. Em contrapartida, áreas do Norte podem enfrentar condições distintas, com reflexos sobre o regime de chuvas e a disponibilidade hídrica.

El Niño expõe vulnerabilidade dos municípios

Dados citados por especialistas indicam que mais de 3.600 municípios brasileiros estão suscetíveis ao agravamento de desastres climáticos. O cenário levanta questionamentos sobre a capacidade das cidades de enfrentar eventos extremos relacionados ao excesso de chuva. Estudos recentes apontam limitações estruturais que dificultam a resposta rápida a inundações, enxurradas e alagamentos em diversas regiões do país.

Segundo um professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, levantamentos recentes mostram que “2 a cada 3 cidades brasileiras possuem baixa ou baixíssima capacidade de se adaptar a eventos extremos causados pelo excesso de chuva”. O especialista defende a criação de estratégias específicas para cada região hidrográfica como forma de reduzir impactos e fortalecer a prevenção de desastres.

“Cada uma das bacias do Brasil deveria ter um planejamento e ações específicas para trabalhar com situações de desastres”, afirmou o pesquisador. De acordo com ele, a falta de preparo estrutural dificulta o enfrentamento de fenômenos climáticos intensos e amplia os riscos para a população em momentos de emergência.

Rio Grande do Sul mantém obras de reconstrução

No Rio Grande do Sul, o governo estadual segue executando obras para reconstruir estruturas de proteção danificadas pelos temporais registrados em 2024. Também foram ampliados investimentos em sistemas de monitoramento e prevenção de desastres. Apesar dos avanços, parte das intervenções ainda não foi concluída, situação que mantém moradores de áreas vulneráveis em estado de atenção.

O bairro Sarandi, em Porto Alegre, é um dos locais que aguardam a finalização de obras de proteção contra enchentes. Durante o último El Niño, as chuvas provocaram 185 mortes e forçaram mais de 580 mil pessoas a deixarem suas residências em todo o estado. O episódio ficou marcado como uma das maiores tragédias climáticas da história gaúcha.

Para o especialista ouvido na reportagem, a preparação insuficiente para eventos extremos continua sendo um desafio nacional. “Nós não temos essa preparação no Brasil, infelizmente não faz parte da nossa cultura”, afirmou. A expectativa é que o avanço das ações de prevenção e infraestrutura contribua para reduzir os impactos de futuros episódios associados ao El Niño.

Compartilhe:

O Notícias do Agro utiliza cookies para melhorar a sua experiência.