O fenômeno El Niño deve voltar a influenciar o clima no Brasil no segundo semestre de 2026. O alerta foi emitido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). Até junho, a tendência é de neutralidade climática, com probabilidade de 93%.
A partir de julho, as chances de formação do El Niño aumentam de forma significativa. Segundo as projeções, a probabilidade chega a 62% entre junho e agosto e pode alcançar 80% a partir de agosto. O fenômeno pode ter intensidade de moderada a forte, com aquecimento expressivo das águas do Oceano Pacífico.
O retorno do El Niño altera o padrão climático observado durante a La Niña. No Sul do Brasil, a tendência é de chuvas acima da média, o que pode favorecer reservatórios, mas também dificultar operações no campo. O excesso de umidade aumenta o risco de doenças fúngicas, como a ferrugem asiática, e pode provocar temporais com granizo e ventos fortes.
Nas regiões Norte e Nordeste, o cenário é oposto. A previsão indica redução das chuvas, com risco de secas severas, especialmente na região do Matopiba, importante fronteira agrícola. O Cemaden alerta que as condições também favorecem incêndios na Amazônia e em áreas de pastagem.
El Niño impacta planejamento agrícola
No Centro-Oeste e no Sudeste, a tendência é de temperaturas acima da média histórica e irregularidade nas chuvas ao longo do segundo semestre. Esse padrão dificulta o planejamento agrícola, especialmente para a safra de verão 2026/27, que começa a partir de setembro.
A instabilidade climática exige maior monitoramento por parte dos produtores, que precisam ajustar o calendário de plantio conforme as condições do clima. A intensidade do El Niño pode influenciar diretamente a produtividade e os custos logísticos no campo, ampliando os desafios para o agronegócio brasileiro.


