A Quaresma, período de 40 dias entre o Carnaval e a Páscoa, altera o cardápio de parte dos brasileiros e amplia a procura por peixes e frutos do mar. A tradição cristã de reduzir ou suspender o consumo de carne vermelha impulsiona as vendas no setor e reforça o papel da piscicultura no abastecimento do mercado interno durante as semanas que antecedem a celebração religiosa.
Com a demanda em alta, a tilápia lidera as preferências nas peixarias e supermercados. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), o país está entre os maiores produtores mundiais da espécie, o que garante ampla oferta. O peixe é valorizado pelo sabor suave, alto teor de proteína e baixo teor de gordura, além da facilidade de preparo.
Além da tilápia, espécies como tambaqui e camarão vannamei ganham espaço na piscicultura. Na pesca extrativa, a sardinha lidera em volume comercializado. Entre os importados mais consumidos aparecem panga, merluza e salmão. Independentemente da origem, a maior parte do pescado é vendida na forma congelada, estratégia adotada por questões logísticas.
“Somos um país de dimensões continentais, e distribuir peixe fresco em todas as regiões é um desafio. O pescado fresco se concentra mais no litoral e em grandes centros urbanos, com forte presença da culinária oriental, onde o consumo de salmão também impulsiona outras espécies frescas”, afirma Jairo Gund, secretário-executivo da Abipesca.
Quaresma e mudança no padrão de consumo
Para este ano, a entidade projeta a retomada do crescimento do consumo interno após retração próxima de 2% em 2025, interrompendo média anual positiva de cerca de 5%. “Essa é a nossa expectativa caso o ambiente econômico seja mais favorável. O desempenho está diretamente ligado à economia como um todo”, diz Gund.
O especialista avalia que a Quaresma ainda representa pico de vendas, sobretudo nas semanas próximas à Páscoa, mas o padrão se tornou mais distribuído ao longo do ano. “O consumo vem se tornando mais linear ao longo do ano. A data ainda tem a maior demanda, mas já não concentra volume como antes. E muito disso é por conta das novas gerações”.


