O tradicional churrasco de fim de ano vai pesar mais no bolso em 2025. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços da carne bovina seguem em trajetória de alta impulsionados pela demanda sazonal típica do período. O movimento atinge com mais força os cortes preferidos das celebrações, como picanha, fraldinha e maminha, que lideram os reajustes registrados nas últimas semanas.
A valorização se concentra na carcaça casada — conjunto formado pelo traseiro, dianteiro e ponta de agulha —, com destaque para os cortes do traseiro e da ponta de agulha, que abrigam as peças mais procuradas para festas. Já o dianteiro, composto por carnes populares e de menor valor agregado, teve aumento mais moderado, comportamento considerado típico nesta época do ano.
Entre outubro e a primeira quinzena de dezembro (até o dia 12), os preços médios subiram de forma significativa, especialmente nos cortes tradicionais de churrasco. A picanha registrou alta de 21,5%, seguida pela fraldinha, com 12,8%, e pela maminha, que subiu 11,2%, de acordo com os dados monitorados pelo Cepea. A tendência encarece diretamente as confraternizações de Natal e Ano Novo.
Mesmo com a alta no varejo, o mercado de boi gordo sinaliza estabilidade. Segundo pesquisadores do Cepea, a aproximação dos feriados de fim de ano mudou a dinâmica entre pecuaristas e frigoríficos. As indústrias estão menos ativas nas compras, já que grande parte das escalas de abate para o fim de dezembro e início de janeiro está fechada, reduzindo a pressão sobre os preços pagos na origem.
Do lado dos produtores, o comportamento também é de cautela. Muitos criadores já encerraram suas vendas em 2025, enquanto outros preferem manter os animais no pasto, esperando melhores condições de mercado na virada para o novo ano. A combinação desses fatores provoca um descompasso entre oferta e demanda, sustentando a valorização dos cortes mais nobres no varejo.


