A produção de bebidas artesanais tem se reinventado com base na valorização da biodiversidade. Em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma destilaria passou a incorporar o mel de abelhas-sem-ferrão à fórmula de seus gins. A iniciativa é da marca Puhuk Gin, criada por Fernanda Godinho de Souza, que uniu a tradição familiar na produção de bebidas com a meliponicultura.
O projeto teve início em 2019, quando Fernanda decidiu mudar de área e investir na criação da destilaria em um terreno da família. Jornalista de formação, ela explica que a proposta vai além da produção de gin: também envolve educação ambiental e o incentivo à criação racional de abelhas nativas. O nome Puhuk vem da língua Maxakali e significa “papa-mel”, em referência à relação ancestral dos povos indígenas com esses insetos.
Durante a pandemia, a implantação do negócio foi retardada, mas o período serviu para a capacitação técnica da empreendedora. Fernanda se especializou em destilação e aprofundou os estudos em meliponicultura, atividade que se diferencia da apicultura por trabalhar com abelhas brasileiras sem ferrão, como jataí, mandaçaia, uruçu e borá, conhecidas por sua importância ambiental e produção mais delicada.
Hoje, a propriedade atua como destilaria e meliponário, com foco em produção em pequena escala e ações educativas. Diferente da abelha com ferrão, uma colmeia de espécies sem ferrão gera entre 1 e 6 litros de mel por ano. O volume é bem menor, mas o produto final tem alto valor agregado e um perfil sensorial complexo, influenciado por fatores como espécie, florada e bioma.
“O mel de abelhas sem ferrão tem mais umidade e segue fermentando mesmo depois de colhido. É um alimento vivo, com leveduras e bactérias naturais”, explica Fernanda. Segundo ela, a composição do mel também é influenciada pelo material dos potes usados pelas abelhas, feitos de cerume, uma mistura de cera e própolis que reforça a complexidade do sabor.


