Os novos registros de gripe aviária na Argentina e no Uruguai ampliaram o alerta sanitário no Brasil. O país retomou há pouco mais de três meses as exportações de frango para a China, após seis meses de suspensão motivada pelo primeiro foco da doença em granja comercial brasileira, confirmado em maio do ano passado. A proximidade dos casos reacende a preocupação do setor.
Na Argentina, o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa) confirmou na terça-feira (24/2) um novo foco de gripe aviária em ave comercial no município de Ranchos, na província de Buenos Aires. A agência determinou o fechamento imediato do estabelecimento e informou que comunicará oficialmente a ocorrência à Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
O país vizinho já havia registrado outro foco em plantel comercial em agosto do ano passado, o que resultou na suspensão das exportações de produtos avícolas. Com o novo caso, a Argentina volta a adotar medidas restritivas para destinos com os quais mantém acordos sanitários de livre de gripe aviária.
No Uruguai, os registros ocorreram em aves silvestres nas regiões de Maldonado, Rocha e Canelones. Como não houve confirmação em granjas comerciais, o governo não impôs restrições às atividades do setor. Mesmo assim, declarou emergência sanitária para acelerar ações de prevenção e controle da doença.
Brasil mantém vigilância contra gripe aviária
No Brasil, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, afirmou que o combate à gripe aviária segue como prioridade. “A influenza aviária continua sendo o principal desafio a ser mitigado pela secretaria. Conseguimos melhorar muito, mas é um problema ainda muito sério, mas que tem melhorado”, disse durante evento em Brasília.
Segundo Goulart, o período atual exige atenção redobrada devido ao fluxo migratório de aves silvestres do Hemisfério Norte para o Sul, movimento que pode aumentar o risco de novas ocorrências. Em fevereiro, o Congresso aprovou a medida provisória 1312/2025, que libera R$ 83,5 milhões adicionais para enfrentar quatro emergências sanitárias, entre elas a gripe aviária.
O texto da MP aponta “mudança inesperada no cenário epidemiológico, com a detecção de dois vírus distintos e de focos no interior do País, onde está concentrada a avicultura nacional”. O governo destaca a necessidade de reforçar ferramentas de monitoramento e resposta rápida para conter eventuais novos focos da doença.


