Em meio às incertezas provocadas pelas salvaguardas chinesas anunciadas em dezembro, o governo brasileiro recebeu sinalizações positivas de Pequim para flexibilizar as cotas de exportação de carne bovina. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou nesta segunda-feira (9) que duas propostas apresentadas pelo Brasil estão em fase avançada de negociação com as autoridades chinesas.
A discussão é liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e visa minimizar os impactos econômicos das cotas impostas pela China a partir de 2026. No ano anterior, o Brasil exportou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina ao mercado chinês, mas o novo limite estabelecido é de 1,106 milhão de toneladas. O excedente, se mantidas as regras atuais, estaria sujeito a uma tarifa punitiva de 55%.
Entre as propostas, o governo brasileiro solicitou que a carne embarcada até 31 de dezembro de 2025 seja contabilizada no volume do ano anterior, mesmo que chegue à China em 2026. Fávaro afirmou que esse ponto “já está avançado”. A segunda demanda envolve a redistribuição das cotas não utilizadas por outros países, como Estados Unidos e Uruguai, com o Brasil disposto a pagar a tarifa regular de 12%.
Segundo o ministro, a China demonstrou interesse na continuidade do fornecimento brasileiro, essencial para sua segurança alimentar. “É de interesse chinês que os exportadores brasileiros possam atender a essa demanda excedente”, destacou Fávaro, ressaltando a importância do Brasil no abastecimento de proteína bovina ao país asiático.
O sistema de salvaguardas representa um desafio logístico e financeiro para os exportadores. Produtos comercializados dentro da cota pagam tarifa de 12%, mas volumes excedentes enfrentam sobretaxa de 55%, comprometendo a competitividade da carne brasileira no mercado chinês. A expectativa do governo é que os termos negociados sejam oficializados na próxima reunião da Cosban, prevista para ocorrer no Brasil ainda em 2026.


