Um filhote de elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) foi devolvido ao oceano na quarta-feira (21), próximo ao Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, no litoral do Paraná. O animal passou por um processo de reabilitação conduzido por equipes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e marca a primeira soltura da espécie no estado em uma década.
O mamífero foi resgatado em 26 de dezembro pela Polícia Militar do Paraná e, em seguida, atendido por pesquisadores do LEC-UFPR (Laboratório de Ecologia e Conservação) e do PMP-BS (Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos), que ativaram protocolo específico de cuidado com fauna marinha debilitada.
Com idade estimada entre três e quatro meses, o filhote apresentava secreção respiratória e um quadro inicial de pneumonia. Durante a internação, recebeu medicação adequada, alimentação controlada e estímulos comportamentais voltados à readaptação à vida no ambiente natural. A resposta ao tratamento foi rápida, permitindo a liberação em menos de um mês.
Segundo Camila Domit, coordenadora do PMP-BS e professora da UFPR, a presença de filhotes da espécie no Brasil é incomum, já que o habitat natural do elefante-marinho-do-sul está em regiões subantárticas. Para ela, o aparecimento de indivíduos tão jovens em países tropicais acende um alerta sobre a saúde do oceano e o impacto das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos.
“Normalmente, quando esses animais aparecem no Brasil, são indivíduos juvenis ou adultos em deslocamento, os quais são conhecidos como animais errantes. Um filhote indica uma situação diferente, que exige atenção imediata para com o atendimento do indivíduo”, afirmou a pesquisadora sobre o resgate do elefante-marinho-do-sul. Ela também destacou a importância de avaliar o contexto ambiental por trás desses registros inéditos.


