CONSUMO

Venda de hortaliças higienizadas cresce e exige nova postura do produtor

Com alta demanda por conveniência e saúde, setor exige rastreabilidade, escala e tecnologia no campo para abastecer a indústria de saladas refrigeradas

Pessoa segura alface embalado em plástico durante compra de hortaliças em gôndola de supermercado
Hortaliças prontas já respondem por 3,5% das vendas no setor (foto: Reprodução/Internet)

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O mercado de hortaliças higienizadas e prontas para consumo vem ganhando espaço no Brasil, impulsionado pela busca por conveniência aliada à alimentação saudável. Segundo Manoel Oliveira, diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Horticultura (Ibrahort), o segmento já representa cerca de 3,5% das vendas totais de hortaliças no país e cresce a dois dígitos nos grandes centros urbanos.

“As pessoas têm menos tempo para preparar alimentos em casa e buscam praticidade. Quem primeiro atendeu a essa demanda foram os alimentos ultraprocessados, mas agora há uma mudança clara em direção ao consumo de produtos saudáveis”, afirmou Oliveira em entrevista ao Agro Estadão. O consumidor passou a valorizar alimentos frescos, desde que entreguem também conveniência.

Com isso, o modelo de saladas prontas e hortaliças embaladas segue o padrão já visto na Europa. “Na Holanda, quase 60% das hortaliças consumidas passam por algum tipo de processamento. Na média europeia, esse índice já passa dos 30%. Temos uma avenida de desenvolvimento pela frente”, destacou o executivo, indicando o potencial de crescimento do setor no Brasil.

O processamento industrial dessas hortaliças segue normas rigorosas de higiene e segurança alimentar. “Há produtos que passam por tripla lavagem em ambiente controlado. O nível de exigência é, em muitos casos, maior do que o que fazemos em casa”, explicou. Para isso, é necessário que o produtor rural esteja preparado para fornecer matéria-prima segura e com rastreabilidade.

Segundo Oliveira, o avanço do setor está diretamente ligado à profissionalização da cadeia produtiva. O produtor que atende à indústria de saladas precisa controlar clima, nutrição, manejo e certificações. “O consumidor quer um produto prático, mas também seguro. Isso exige do produtor um outro patamar de gestão e qualidade”, disse, ao defender a adoção de tecnologias como o Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Além dos cuidados técnicos no campo, o fornecimento para a indústria exige regularidade, previsibilidade e escala. “Hoje, a indústria é mais rápida do que a capacidade produtiva do agricultor brasileiro”, afirmou o diretor do Ibrahort. Para ele, gestão, controle e tecnologia são indispensáveis para garantir o abastecimento contínuo das gôndolas refrigeradas nos supermercados.

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