O preço do tomate voltou a subir com força no início de março e já impacta o bolso do consumidor. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta alta significativa da variedade longa vida em diferentes regiões do país, com reflexo direto nos índices de inflação.
Em São Paulo, entre os dias 2 e 6 de março, o preço do tomate aumentou 55,2% em relação à semana anterior, com a caixa sendo vendida, em média, a R$ 110. Em Campinas, a valorização foi ainda maior: 85%, com o produto chegando a R$ 140,71 por caixa.
No Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o tomate registra a segunda maior alta do grupo alimentação e bebidas em 2026, com avanço acumulado de 20,87%. O produto fica atrás apenas do pepino, que subiu 32,02% no período.
Segundo o pesquisador do Cepea João Paulo Bernardes Deleo, o movimento de alta já era esperado pelo mercado. Os preços vinham em níveis baixos desde o início da safra de verão, em novembro, e passaram por oscilações nos meses seguintes.
“Em janeiro deste ano, deu uma melhorada. Em fevereiro, observamos elevação no início do mês, mas aí veio o pico da safra, somado ao calor, que acelerou a maturação e derrubou os preços. Depois disso, ele vem se recuperando. E como teve uma maturação concentrada em fevereiro, há menos frutos para serem colhidos agora”, afirmou.
Preço do tomate reage à menor oferta
A recuperação dos preços está diretamente ligada à redução da oferta nos principais entrepostos do país. Regiões produtoras como Caçador, em Santa Catarina, tiveram grande volume em fevereiro, mas agora registram menor disponibilidade para comercialização.


