A produção de cogumelos no Paraná registrou alta de 106% em uma década, alcançando 982 toneladas colhidas na safra 2023/2024, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral). O crescimento expressivo ocorre mesmo com a redução no número de variedades analisadas: o levantamento atual considera apenas as espécies champignon e shitake, ao contrário do anterior, que contabilizava mais tipos de fungo.
Esse avanço está diretamente ligado à organização dos pequenos produtores por meio de cooperativas e à aposta em produtos orgânicos e in natura, alinhados ao aumento do consumo. A produção está concentrada em duas regiões com clima favorável ao cultivo: a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e os Campos Gerais, que somam 89% do total produzido no Estado.
A RMC lidera com 545.220 quilos colhidos, com destaque para São José dos Pinhais (246.200 kg) e Tijucas do Sul (184.000 kg). Já nos Campos Gerais, a cidade de Castro é a principal produtora, com 262.500 quilos, seguida por Palmeira, que colheu 63.000 quilos. A umidade e o frio dessas regiões favorecem a produção, enquanto áreas mais quentes demandam alto investimento em refrigeração, o que limita a entrada de pequenos produtores.
De acordo com a Agência Nacional de Produtores de Cogumelo (ANP), cerca de 80% dos produtores brasileiros são pequenos agricultores familiares. A isenção de tributos como ICMS, PIS e Cofins para cogumelos in natura também impulsiona o setor. Já os industrializados pagam alíquotas de 12% e 4%, respectivamente, o que reforça a tendência de valorização dos produtos naturais no mercado.
A Coopertijucas, cooperativa criada em 2013 em Tijucas do Sul, é um dos exemplos da força da organização entre os produtores. Com 40 associados, o grupo comercializa cerca de 9 toneladas de cogumelos por mês, sendo 4 toneladas in natura e 5 toneladas em conserva. A expectativa, segundo o presidente Sergio Brito, é que essa proporção se inverta diante da demanda crescente por alimentos frescos.
Sergio destaca a importância do preparo técnico e do acesso à informação para obter sucesso no cultivo. “Encontrei pessoas que começaram sozinhas e tiveram grandes problemas por falta de conhecimento. A produção teve doença, muita perda e acabaram desistindo”, afirma. Segundo ele, orientação especializada e investimento em estufas climatizadas são fundamentais para evitar prejuízos logo no início da produção.


