O preço do algodão segue sustentado no mercado brasileiro neste fim de março, impulsionado pela forte demanda internacional. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a valorização da paridade de exportação e do Índice Cotlook A reforça o movimento de alta nas cotações internas.
Com maior atratividade no mercado externo, produtores e vendedores mantêm postura firme nas negociações. Tradings têm oferecido valores mais elevados pela pluma destinada à exportação, o que reduz a disponibilidade de lotes a preços mais baixos para a indústria nacional.
Esse cenário fortalece o preço do algodão no mercado interno, já que a paridade de exportação atua como referência. Quando esse indicador sobe, os valores domésticos acompanham o movimento para evitar que toda a produção seja direcionada ao exterior. Enquanto isso, a indústria têxtil enfrenta dificuldades para adquirir matéria-prima no mercado spot. Segundo o Cepea, empresas relatam obstáculos na aprovação de qualidade dos lotes e divergências sobre preços com os vendedores.
Preço do algodão e impacto na indústria
Diante das dificuldades, parte das indústrias tem recorrido a contratos firmados anteriormente ou ao uso de estoques reguladores. A estratégia busca manter a produção e priorizar a venda de produtos manufaturados. Outro fator que influencia o mercado é o custo logístico. O valor do frete tem peso direto na formação do preço final e pode alterar a viabilidade das operações, especialmente no transporte da safra até portos e polos industriais.
Segundo agentes consultados pelo Cepea, a logística é decisiva para o cumprimento de contratos a termo. Oscilações nos custos de transporte podem afetar as margens de produtores e tradings, influenciando o ritmo das negociações no curto e médio prazo.


