O Paraná vai realizar, ainda no primeiro semestre de 2026, um censo inédito com os mais de 4,5 mil agricultores orgânicos certificados no Estado. A iniciativa busca mapear as características socioeconômicas desse grupo, além de identificar a diversidade de cultivos sob manejo orgânico. O levantamento é coordenado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) em parceria com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).
Segundo o secretário estadual da Agricultura, Marcio Nunes, a medida reforça o protagonismo do Paraná na produção agroecológica. “A produção orgânica tem papel estratégico porque agrega valor, abre mercados e gera mais renda ao produtor rural. O modelo traz qualidade de vida no campo e fortalece a economia do Estado”, destacou o titular da pasta.
Com investimento total de R$ 850 mil — sendo R$ 300 mil do IDR-Paraná e R$ 550 mil da Seti —, o censo deve ter seus resultados consolidados até agosto deste ano. “A ideia é entregar os dados como um legado para orientar o próximo governo na formulação de políticas públicas voltadas à produção orgânica no Estado”, afirmou o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona.
A primeira parcial do levantamento foi aplicada na região do Norte Pioneiro, com apoio de 40 extensionistas e bolsistas do Programa Universidade Sem Fronteira e do Fundo Paraná. Ao todo, 776 produtores responderam ao questionário. Entre os dados iniciais, 75% dos entrevistados vivem na zona rural e 24% na área urbana. Homens representam 72% dos responsáveis pela produção e mulheres, 28%.
A escolaridade dos agricultores também foi analisada: metade possui ensino fundamental, 29% concluíram o ensino médio e 20% têm nível superior. Outros temas como acesso à assistência técnica, tipos de cultivo, uso de financiamento e conformidade orgânica ainda estão em fase de tabulação. Os dados ajudarão a orientar políticas públicas voltadas à agricultura familiar e agroecológica.
Para o diretor-presidente do IDR-Paraná, Natalino Avance de Souza, o censo é uma oportunidade de fortalecer a produção orgânica e estimular a permanência de jovens no campo. “Sabemos que uma agricultura mais orgânica e agroecológica pode gerar renda e melhorar a qualidade de vida no campo. Isso ajuda a atrair os jovens e profissionalizar a produção”, disse.
Souza também destacou que o modelo de certificação exige controle técnico e maior planejamento. “A ampliação do censo permitirá aprofundar esse diagnóstico em outras regiões, inclusive na metropolitana de Curitiba. Estamos felizes com o avanço do processo”, concluiu.


