SAFRA

Mesmo com clima instável, safra de figo roxo cresce em Valinhos e impulsiona exportações

Cidade paulista aposta em padrão de qualidade para ampliar mercados e deve colher 4 mil toneladas de figo roxo na safra 2025/26, com destaque na exportação

Dois figos roxos maduros presos ao galho de figueira em close durante cultivo de fruta fresca no campo
Safra 2025/26 de figo roxo em Valinhos deve crescer 5% em volume (foto: Reprodução/Internet)

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Produtores de figo roxo em Valinhos (SP), município reconhecido como a capital da fruta, projetam crescimento de 5% na safra 2025/26, com estimativa de 4 mil toneladas colhidas até o fim do ciclo. A colheita começou em novembro e ocorre mesmo diante de um cenário climático instável, marcado por um inverno mais prolongado.

A cidade tem 410 propriedades rurais, das quais 120 são voltadas à produção de figo e goiaba. Segundo Francisco Fabiano, engenheiro-agrônomo da Casa da Agricultura, o inverno atrasou o início da safra, mas não comprometeu a qualidade nem o volume dos frutos. A previsão otimista se mantém apesar das oscilações no clima.

Pedro Pelegrini, presidente do Sindicato Rural, destaca que o inverno mais úmido, sem extremos de seca ou excesso de chuvas, favoreceu o padrão de dulçor dos figos. O resultado foi uma safra com excelente aceitação no mercado externo. Em novembro e dezembro, cerca de 35% da produção foi destinada à exportação para Europa, Oriente Médio e Canadá.

“Escoando esse volume, os produtores conseguem manter um bom preço de venda no mercado interno, assegurando a rentabilidade”, explicou Pelegrini. A estratégia tem funcionado como proteção diante da oscilação de preços e do custo de produção. O setor aposta na padronização da qualidade como diferencial competitivo.

Matheus Lacarini, produtor local, cultiva figo em dez propriedades em Valinhos. São cerca de 100 mil pés, com produção anual de 800 toneladas. Parte dos frutos maduros é vendida in natura ou congelada. Já os figos verdes são destinados à indústria, o que amplia o aproveitamento da produção e garante maior rentabilidade.

“Nossa família planta figo há cerca de 60 anos. Estamos na quarta geração e, nesse período de desenvolvimento do negócio, notamos que, apesar de ainda ser considerada uma fruta exótica, o figo tem conquistado espaço no consumo do brasileiro. Há espaço para crescer”, afirmou Lacarini para o Globo Rural.

Além do figo, as propriedades da família Lacarini também produzem uva, goiaba, manga, atemoia e pêssego. Segundo o produtor, a diversificação é uma estratégia para manter o equilíbrio do solo e ampliar as oportunidades de mercado. Valinhos integra o Circuito das Frutas de São Paulo, e o clima da região contribui para a produtividade das lavouras.

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