O setor de máquinas agrícolas deve crescer 3,4% em 2026, segundo projeção da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A expectativa reflete uma desaceleração em relação ao desempenho de 2025, quando o segmento registrou alta de 7,4% em receita, somando R$ 66,75 bilhões em vendas totais.
A avaliação é de que, embora uma nova supersafra esteja prevista, o ritmo de crescimento será menor. “Provavelmente vamos ter uma super safra novamente, mas com crescimento pequeno em comparação ao que aconteceu em 2025, o que deve impactar os investimentos do setor na compra de máquinas na mesma proporção”, disse Cristina Zanella, diretora da Abimaq. Ela apontou ainda os juros altos e o câmbio como fatores limitantes.
No mercado interno, o desempenho foi impulsionado por tratores, especialmente os de menor porte, voltados à agricultura familiar, produção de café, fruticultura e pecuária. As vendas internas somaram R$ 57,59 bilhões em 2025, crescimento de 6,7%. Em volume, foram 55,5 mil unidades vendidas, avanço de 15,8% sobre 2024.
As vendas de tratores totalizaram 52,1 mil unidades, com alta de 16,5%. Já o segmento de colheitadeiras teve aumento de 5,2%, com 3,4 mil unidades comercializadas. “O setor é muito calcado no desempenho do mercado interno. Vimos crescimento das vendas, principalmente no segmento de tratores. Já colheitadeiras tiveram um crescimento menor”, explicou Patrícia Gomes, diretora-executiva de mercado externo da entidade.
No comércio internacional, as exportações de máquinas e implementos agrícolas cresceram 12,2% em receita, alcançando US$ 1,63 bilhão. No entanto, em volume, houve retração de 0,7%, com 5,5 mil unidades embarcadas. Os embarques de tratores caíram 0,2% (5,2 mil unidades), enquanto os de colheitadeiras recuaram 8,7%, para 336 unidades.
O setor fechou 2025 com 122,2 mil empregos diretos, 6,8% a mais que em 2024. Apesar do bom desempenho recente, a Abimaq expressa preocupação com o avanço da China no mercado internacional de máquinas agrícolas e com possíveis impactos do acordo entre Mercosul e União Europeia, que pode aumentar a concorrência sobre a indústria nacional.


