O Acordo Mercosul-União Europeia, previsto para ser assinado oficialmente neste sábado (17), tem sido amplamente comemorado pela indústria brasileira de alimentos. Para a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), o tratado vai muito além da esperada redução de tarifas: ele estabelece segurança jurídica e previsibilidade, elementos considerados decisivos para o fortalecimento do setor no médio e longo prazo.
Segundo a ABIA, o grande valor do acordo está na possibilidade de atrair novos investimentos para o parque industrial brasileiro, já que a previsibilidade nas regras de comércio internacional tende a reduzir incertezas que afugentam investidores. A entidade também destaca o impacto positivo sobre a balança comercial, com projeções robustas para as vendas externas.
Os estudos da associação indicam que, no curto prazo, as exportações de alimentos industrializados para a União Europeia podem crescer entre 1% e 2%, o que já representaria um incremento de cerca de R$ 400 milhões por ano na receita do setor. No longo prazo, esse avanço pode chegar a 8%, equivalente a uma alta anual de até R$ 3,5 bilhões nas vendas externas.
Empregos e modernização da indústria
Com o aquecimento das exportações, a ABIA projeta também a geração de empregos: de 3 mil a 30 mil postos diretos e indiretos, conforme os cenários de aumento da produção e dos investimentos em novas plantas e modernização de unidades industriais. O tratado deve contribuir ainda para ganhos de produtividade, fator essencial para competitividade global.
Outro ponto de destaque é o estímulo à diversificação da pauta exportadora. O acordo deve facilitar a entrada de produtos processados, prontos para consumo e de maior valor agregado em um mercado de alto poder aquisitivo e exigente do ponto de vista sanitário. Isso representa um avanço qualitativo na estratégia comercial brasileira, que historicamente se apoiou mais na exportação de commodities e matérias-primas.


