O governo da França anunciou que suspenderá a importação de frutas que apresentem resíduos de agroquímicos proibidos na União Europeia. A medida deve atingir diretamente exportadores da América do Sul, com impacto previsto sobre o Brasil e outros mercados internacionais. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu e confirmado pela ministra da Agricultura e da Soberania Alimentar, Annie Genevard.
De acordo com o governo francês, frutas como abacate, manga, goiaba, uvas, maçãs, frutas cítricas, melões, damascos, cerejas, morangos e até batatas só poderão entrar no país se não apresentarem traços de substâncias vetadas no bloco europeu. Entre os defensivos agrícolas citados como motivadores da medida estão mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim.
A ministra Annie Genevard afirmou que já determinou a adoção do decreto e que a intenção é evitar que substâncias proibidas reapareçam indiretamente por meio de alimentos importados. Para fiscalizar a nova regra, será criada uma brigada especializada, com o objetivo de reforçar os controles sanitários nas fronteiras francesas. “Todos os alimentos que entram na França devem respeitar as normas europeias”, declarou Genevard.
O governo francês argumenta que a decisão busca garantir padrões sanitários rigorosos, combater a concorrência desleal e proteger a agricultura local. “É uma questão de bom senso, de equidade e de justiça para nossos agricultores”, afirmou o primeiro-ministro Lecornu, que classificou a medida como uma primeira etapa de defesa à produção nacional. O país também pretende levar a proposta à Comissão Europeia.
Segundo a ministra Genevard, caso não haja adesão por parte do bloco, a França está disposta a reforçar ou reeditar o decreto de forma autônoma. Os controles devem se intensificar ainda em dezembro, com impactos diretos para exportadores que utilizam substâncias proibidas pelas regulamentações ambientais e sanitárias da União Europeia.
Entre janeiro e novembro do ano passado, a França foi o sétimo destino das frutas brasileiras, com participação de 0,8% nas exportações, de acordo com dados da plataforma ComexStat. A decisão deve pressionar produtores e exportadores da América do Sul a reverem práticas agrícolas e adaptarem os padrões exigidos pelo mercado europeu para manter o acesso ao mercado francês.


