CRISE

Falta de diesel paralisa colheita de arroz no Rio Grande do Sul

Farsul relata suspensão de entregas por transportadores e alerta para risco às lavouras de arroz e soja no estado

Colheitadeira realiza colheita de grãos em plantação agrícola em imagem sobre produção agrícola e safra no campo
Falta de diesel afeta produtores no RS (foto: Reprodução/Internet)

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A falta de diesel começou a afetar produtores rurais no Rio Grande do Sul e já provoca paralisação da colheita de arroz em algumas propriedades. A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) recebeu diversas reclamações de agricultores sobre a suspensão das entregas de combustível por Transportadores Revendedores Retalhistas (TRRs).

Segundo o presidente da entidade, Domingos Velho Lopes, o problema começou no início do mês e se intensificou na sexta-feira (6), quando produtores relataram dificuldades para receber o combustível necessário para as operações agrícolas. A escassez ocorre em meio ao avanço da colheita de arroz, que já alcança cerca de 20% da área cultivada no Estado.

“A colheita de arroz já chegou a 20% da área, e há produtores esperando o recebimento de diesel para dar continuidade aos trabalhos. Esse problema não é generalizado, mas se o reabastecimento não acontecer entre segunda (9) e terça (10), podemos sim ter um impacto para as principais áreas arrozeiras”, afirmou Lopes.

Além do arroz, lavouras de soja também podem ser afetadas, já que a colheita da oleaginosa ainda está em fase inicial. A Farsul informou que o problema teria começado nas refinarias, que suspenderam a distribuição do combustível às TRRs sem aviso prévio ou justificativa.

Diesel mais caro preocupa produtores

Produtores também relatam aumento significativo nos preços do diesel. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o valor do combustível chegou a subir até R$ 1 por litro em algumas regiões do país. No Rio Grande do Sul, a alta pode alcançar R$ 1,50 por litro.

“Algumas TRRs estão dizendo que o valor pode subir ainda mais. Para nós, a grande questão não é nem o preço e sim a disponibilidade do diesel. Tem produtor indo ao posto com galão para tentar amenizar a situação. Ainda assim, ele não consegue abastecer mais de uma máquina desse jeito”, disse Lopes.

A disparada do petróleo na última semana, impulsionada pela escalada do conflito no Oriente Médio, pode estar relacionada ao cenário. O aumento das cotações internacionais elevou a volatilidade nos preços dos combustíveis. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que entrou em contato com fornecedores e afirmou que o Rio Grande do Sul possui estoques suficientes para garantir o abastecimento regular.

A produção e a entrega seguem em ritmo normal pela Refinaria Alberto Pasqualini (Refap). Segundo a ANP, distribuidoras serão notificadas para prestar esclarecimentos sobre volumes em estoque e pedidos recebidos. A agência também investigará possíveis aumentos injustificados nos preços do diesel em postos do Estado.

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