O governo dos Estados Unidos reduziu de 50% para 15% a tarifa aplicada ao café solúvel brasileiro. A mudança ocorre após novas diretrizes da gestão de Donald Trump e pressão da Suprema Corte norte-americana, que derrubou cobranças adicionais. O novo percentual alivia parte do impacto imposto desde julho de 2025, quando a taxação elevada entrou em vigor.
Enquanto isso, cafés verdes, torrados e moídos seguem isentos de taxação, conforme recuo anunciado pelos Estados Unidos em novembro de 2025. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) avaliou o cenário como positivo, mas ressaltou que a situação do café solúvel brasileiro ainda exige atenção estratégica do governo e do setor produtivo.
Segundo o Cecafé, embora a tarifa de 15% seja equivalente à aplicada à maioria dos concorrentes, o percentual permanece acima do praticado para o México, principal fornecedor do produto aos Estados Unidos e beneficiado por taxa zero via acordo bilateral. “Entendemos, devido a isso, que se faz necessário o Brasil buscar acordo comercial bilateral com os Estados Unidos para eliminar a taxa imposta sobre o produto nacional”, destacou a entidade.
A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) também comentou a decisão com cautela. “A medida restaura parte da competitividade do produto nacional no mercado norte-americano, após a imposição de uma tarifa de 50%, em vigor desde julho de 2025, que resultou em queda de cerca de 50% no volume exportado nos últimos seis meses”, informou em nota.
Mercado estratégico para o café solúvel brasileiro
O mercado norte-americano compra o café solúvel brasileiro há mais de 60 anos e responde por cerca de 20% das exportações do setor, com aquisições anuais superiores a US$ 220 milhões. Apesar do alívio tarifário, a Abics lembra que o Brasil também enfrenta desvantagem em relação à Colômbia, que paga tarifa de 10% para vender aos Estados Unidos. A redução para 15% representa um avanço frente ao cenário anterior, mas o setor defende negociações comerciais para garantir condições de igualdade e recuperar participação no principal destino do café solúvel brasileiro.


