A China decidiu flexibilizar as regras sanitárias para a importação de soja brasileira após impasses recentes envolvendo a devolução de cargas. A informação foi confirmada em documento da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), do Ministério da Agricultura, divulgado nesta sexta-feira (20).
Nos últimos dias, autoridades chinesas rejeitaram cerca de 20 navios com soja brasileira devido à presença de ervas daninhas proibidas no país. O episódio gerou preocupação no setor exportador, já que a China responde por aproximadamente 80% das compras externas do produto.
Em reunião entre os governos, o Brasil argumentou que não é possível garantir ausência total de sementes de plantas daninhas devido às características da produção agrícola. Segundo o documento oficial, as autoridades chinesas aceitaram o argumento e deixaram de exigir tolerância zero nas cargas. Com a mudança, o governo brasileiro autorizou a certificação de embarques mesmo quando houver registro de plantas daninhas em laudos laboratoriais. No entanto, ainda não há definição de um limite numérico para a tolerância.
Soja brasileira segue sob negociação
O percentual aceitável deverá ser definido em negociações futuras entre os dois países. Até lá, a avaliação seguirá baseada em análise de risco e medidas de mitigação, conforme o destino da carga. O impasse recente também levou empresas do setor a rever operações. A Cargill cancelou embarques no dia 12 deste mês após as devoluções. Diante do cenário, representantes do Ministério da Agricultura devem viajar à China para tratar do tema.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que a qualidade da soja brasileira “é inquestionável”, mas reconheceu a preocupação das autoridades chinesas. Ele também indicou que o governo pretende propor a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio entre os dois países.


