O Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim. A medida foi publicada na terça-feira (24/2) no Diário Oficial da União e permanecerá em vigor até que o governo marfinense apresente esclarecimentos formais. A decisão cita possíveis implicações fitossanitárias e suspeita de triangulação de amêndoas fermentadas e secas.
Segundo a Pasta, há indícios de elevado fluxo de grãos oriundos de países vizinhos, como Gana, Guiné e Libéria, para a Costa do Marfim. Guiné e Libéria não possuem autorização para exportar ao Brasil. O governo brasileiro exige garantias de que os carregamentos não contenham amêndoas produzidas em países não habilitados.
A Costa do Marfim responde por cerca de 40% da oferta global de cacau. Em 2025, o Brasil importou 34,1 mil toneladas do país africano, o equivalente a 80% das 42,1 mil toneladas adquiridas no exterior, de acordo com a StoneX. Apesar da relevância do fornecedor, analistas avaliam que o impacto imediato tende a ser limitado.
Em janeiro deste ano, o Brasil comprou apenas 2 mil toneladas no mercado externo, ante 12 mil toneladas no mesmo mês de 2025. “Com esse índice de importação baixo para janeiro de 2026, a suspensão não tende a mexer tanto neste momento, porque temos superávit doméstico. Esses preços são reflexo da produção em recuperação e de uma demanda baixa”, afirmou Lucca Bezzon, da StoneX.
Mercado acompanha preços e produção
Rafael Borges, também da StoneX, observa que a indústria não deve reagir no curto prazo. Ele destaca que os contratos com vencimento em julho fecharam em queda de 1,17% na bolsa de Nova York, a US$ 3.131 por tonelada. A desvalorização do dólar também influencia a formação de preços no mercado interno.
Borges acrescenta que não há expectativa de recuperação relevante das cotações para os produtores brasileiros. “Existe a expectativa de que a produção aumente nos próximos anos, com aumento de área, distribuição de sementes, recuperação de áreas degradadas”, afirmou. O Brasil é considerado estratégico por reunir produção e forte consumo interno de cacau.


