A alta do diesel e as dificuldades de abastecimento começaram a preocupar produtores rurais no Paraná. A Federação da Agricultura do Estado (Faep) afirma que agricultores de diferentes regiões relatam risco de escassez do combustível e cobrança abusiva em alguns postos. O cenário ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que elevou as cotações internacionais do petróleo.
Segundo Edio Luiz Chapla, presidente do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, no extremo Oeste do estado, ainda não há falta de diesel na região, mas já existem problemas na entrega por parte dos Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRR). “E, em alguns postos de combustíveis, estão restringindo o volume para compra. Se eu quiser diesel, tenho que entrar na fila, com prazo médio de dois dias para entrega, e não sei o preço que vou pagar”, relatou ao Globo Rural.
Chapla afirma que a principal preocupação é o impacto nas cadeias produtivas da região, como suinocultura, avicultura e piscicultura. Embora essas atividades consumam menos combustível que as lavouras agrícolas, dependem do diesel em várias etapas do processo produtivo.
“A situação começa a preocupar pelo cenário que vem se desenhando. Mas a intenção não é incentivar filas em postos de combustíveis, temos que ter cautela quanto a isso”, sinalizou o dirigente. “Só vale lembrar que o preço do diesel impacta no custo de produção e na gôndola, com o produto final”, disse.
Alta do diesel preocupa logística da safra
O Sistema Faep alerta que o conflito no Oriente Médio acendeu o sinal vermelho para o agronegócio, diante do risco de impacto no fornecimento global de petróleo e derivados. O diesel é considerado insumo essencial para operações mecanizadas no campo e para o transporte de grãos.
“Estamos acompanhando os desdobramentos em tempo real porque, com o conflito, a dinâmica muda a todo momento, de forma muito rápida”, declarou Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico, Econômico e Legal (DTEL) da entidade. Ferreira destaca que a maior preocupação está no período de escoamento da safra.
“Estamos em um momento crucial da safra, com quase 50% da soja colhida, o que resulta numa operação que envolve o transporte de caminhão do grão para armazéns e para o porto, além de navios. Toda essa cadeia é permeada pelo uso do diesel”, afirmou.


